Hoje fui ao mercado... chegando lá me deparei com algo que sempre percebemos, mas somos 'adultos' demais para ligar para isso por tempo o bastante... trata-se daquele delicioso gostinho de infância.
Durante as compras, ao passar pelo setor de bolachas (ou biscoito, como preferir), me deparei com uma que eu adorava quando era criança. Aquela marca, para mim, tinha um gosto mais do que especial, e parecia ter sido fabricada por anjos de tão gostosa que era... Na hora me bateu uma saudade do tempo de infância, de sentir mais uma vez aquele gosto maravilhoso que tal biscoito tinha, então decidi comprá-lo.
Ao chegar em casa, imediatamente abri o pacote... mas aquele sabor não estava mais lá, muito pelo contrário... ela pareceu crocante e doce demais para o meu gosto. É triste, mas é a realidade.
Nesse momento me veio a tona algo que eu havia esquecido desde o momento que vi aquela bolacha: não sou mais criança.
Fico agora imaginando quantas pessoas diariamente se vem nessa situação, de notar que cresceram, viraram adultos, e aquelas pequenas coisas que tinham tanto valor enquanto eramos apenas seres com telencéfalos se desenvolvendo já não nos importam.
Quem aí nunca foi no barzinho da esquina comprar aqueles doces de abóbora em forma de coração? Na minha época, íamos ao barzinho e o 'tio' pegava aqueles doces, que estavam todos juntos num potinho, com as mãos, que já havia tocado em dinheiro, limpado o balcão, varrido o chão e encostado em seus órgãos sexuais na última ida ao banheiro sem que ele lavasse as mãos servido bebidas para um monte de gente, em seguida ele os colocava em um saquinho de papel e íamos para casa nos deliciando com aquele doce, sem se preocupar. Atualmente, no mínimo, chamaríamos a vigilância sanitária para o dono do bar (sem falar que as crianças de hoje em dia tomariam a mesma atitude que nós adultos, mas isso fica para outro dia).
Outra grande mudança, tem ligação direta com a imagem que ilustra essas linhas. Os suquinhos de brinquedo. Todos tinham o mesmo gosto, muito ruim por sinal, só mudava a cor, mas qual criança se preocupava com isso? O importante é que era um carrinho, um aviãozinho, uma uva, enfim... era um brinquedo. Pedíamos aos nossos pais até eles se cansarem e comprassem "aquela coisa ruim"... é, quem aí ao se deparar com esse suco hoje em dia não diria "credo, que coisa ruim", independente da embalagem.
Pois é, meus caros e minhas caras, quando ficamos adultos tudo muda, nossos gostos, nossa percepção, nossa visão de mundo, nossos projetos... quando viramos adultos podemos conhecer novas oportunidades mas esquecemos da maior oportunidade que já tivemos na vida... a de sermos felizes com apenas um simples biscoito duro e doce demais...
Se por acaso você que está do outro lado ainda é criança, uma dica: cresça, mas jamais deixe de ser criança...
Até quando eu tiver algo para escrever, que agora vou ali pular amarelinha.







