Estranha Mente Minha

Apenas palavras soltas ao vento sem direção nem sentido.

Nem são 10 da manhã e a vida já me mostrou que tudo pode dar errado... decidi olhar o site para ver quantos visitantes... 2 pessoas olharam o que publiquei de ontem para hj... Apenas 2, mesmo com uma série de divulgações no fcb com imagens, links. Abro o whatsapp e gente chateada comigo pois disse que estou sem grana para ir viajar para onde mora, entendendo que simplesmente não quero ir... Outra pessoa já fica zangada só pq não gostei de um filme que ela gostou e simplesmente dei minha opinião, como tantos poderiam ter feito, aliás como outra moça tb fez, e não tentei empurrar minha opinião, só estava "conversando", dizendo pq não gostei, mas como sempre ela leu o que disse da pior maneira possível, no chat uma pessoa me faz uma constatação: nada do que publico na página tem "curtir", nem comentar... Aliás, no meu perfil não é muito diferente, né? Ninguém curte, comenta... Em nada ninguém fala comigo, ninguém se importa com o que eu fiz, com o que falei...sou apenas uma sombra, um fantasma perdido no meio do nada, que ninguém nota, ninguém vê, e quando vê é para compreender mal, como se eu fosse um monstro. Tenho a impressão que todos me odeiam, eu tento tanto me aproximar das pessoas, ajudar a todos, ser legal, tento tanto conversar numa boa, puxar assunto, mas ninguém nota... Eu queria tanto saber o que fiz de errado, eu realmente não sei, não faço a menor ideia... E sei que ninguém, absolutamente ninguém vai me ajudar a entender, pois sou apenas um fantasma, ninguém percebeu nem perceberá que preciso de ajuda...

Continuando meu "só precisava desabafar", já que a análise é só sexta... Desde ontem fiquei meio triste, meio para baixo e hoje só piorou... Tenho diversos círculos de amizade no Facebook, parentes, Itaú, B2w, Broguime, o pessoal que eu saia muito ano passado, como está 'na moda' no momento muitos postaram fotos de criança no seu perfil...Todos tiveram vários curtir, a maioria absoluta algum comentário, e quase todos entre amigos que são em comum comigo, inclusive eu curti todas as fotos que vi de todos... Decidi postar uma minha também, fui, escolhi a foto, tirei, recortei e postei... ao contrário de todos, eu só tive um curtir... uma única pessoa percebeu, gostou (ao menos acho que sim) e se deu ao trabalho de apertar aquele botãozinho, ninguém mais. Poxa, tudo bem que eu tenho esse problema, mas acho que qualquer um no meu lugar ficaria mal em ver que todos que postaram a foto ganharam curtir, alguns ganharam vários curtir e inclusive todos seus amigos em comuns nos mais diversos círculos de amizade curtiram entre si suas fotos e só vc que não, só vc ganhou um único... aí hoje, meio magoado com isso e aliás indo contrário aquilo que minha piscóloga determinou, eu comentei em resposta ao comentário dessa mesma pessoa que curtiu que eu era feio mesmo qdo criança, tanto que ninguém curtiu minha foto, veio uma pessoa e curtiu uns minutos depois, aí então numa conversa no chat fiz o mesmo comentário com outra amiga, mas brincando, não pedindo curtir, só pq eu estava muito triste por não ter recebido curtir, precisava falar com alguém mas não tinha ninguém para eu falar, ninguém para eu comentar, acabei me abrindo dessa forma, ela, na brincadeira, curtiu e foi em outra foto e, também brincando, sei que ela não teve maldade, comentou em outra foto dando a entender que eu estava pedindo no chat para ela curtir... foi uma maré de gente me zoando no chat, apareceram sete janelas de gente zoando... É isso, novamente eu só precisava desabafar...

Estou sozinho... não tenho para onde correr, todos que chamei, todos que liguei, sumiram, alguns tentaram mas o assunto morreu... tudo morreu... eu quero aguentar essa noite, mas mal aguentei esse dia, não quero que nada aconteça mas estou fraco, fraco demais...

Hoje não posso contar nem com minha protetora, sempre estrago tudo e estraguei mais uma vez... sabe, dizem que as pessoas vivem de sonho, e é tudo que sei, sonhar... pq realizar nada nunca foi... ainda mantenho vivo um único sonho, minha própria história, mas é grande demais para escrever tudo... enquanto luto não tenho escolha, só me resta tentar esse sonho uma vez, talvez partindo de outra pessoa, de alguém que faça o que tanto sonhei que é divulgar isso... cresci sem pai, uma mãe ausente que pouco se importou com o que eu sentia ou precisava, sem abraço, sem carinho, ninguém me deu, me prendendo ao que eu tinha, e uma das coisas que tinha eram as pessoas de longe, da escola, comecei a me apegar, mas ninguém me dava bola alguma, eu sempre muito tímido, muito nerd, n tinha amigos, me apaixonei cedo, com 11 anos mais ou menos por uma garota da minha sala, chamada Fernanda, ela nunca me deu bolas, nunca mesmo, deu muito trabalho para conseguir algo, mas tudo foi rapidamente  destruído por duas pessoas, que desmoronaram meu mundo, acabei tendo minha primeira decepção amorosa ali... esqueci, o tempo apaga tudo, mas aí num jogo de futebol minha perna inchou fui no médico e foi descoberto uma trombose venosa profunda na perna direita, fiquei internado, tratei, enfim, depois de curado foram tentar descobrir pq tive essa doença incompatível com minha idade na época, descobriram que minha creatinina estava alta, após alguns exames fiz biópsia e tinha Nefrites, trataram, mas n deu muito certo, nesse meio tempo arrumei uma namorada, a Angela, era a pessoa errada, mas na hora certa e que muito me ajudou no momento em que mais precisei mas depois de 3 anos começou a esfriar, com 5 acabou, sofri para caralho, mas vida que segue, pois tinha vários amigos, sempre tinha o que fazer, para onde ir, gente ligando, meio que não me sentia sozinho, mas aí tive um sério problema, sempre enjoado, sempre cansado, fui no médico: insuficiencia renal crônica... entrei na hemodiálise e no momento que mais precisei minha mãe ficou do meu lado, dormia numa cadeira no hospital, ela que quase nunca me acompanhou estava fazendo aquilo, mas ninguém me ligou, ninguém foi me visitar, mas lá no hospital conheci uma garota, da minha idade e tb com um cateter no pescoço, o nome dela era Shirley, ela me fez se sentir melhor, me sentir menos diferente de todos... recebi alta, perdi contato com a Shirley e todos meus 'amigos' me viraram a cara, comecei a ficar mal, só chorava, sempre triste, me sentia um et com aquele cateter no pescoço, me sentia assustado, perdido, o hospital me deu apoio psicológico e concluiu que tinha stress pós traumático e principio de depressão, recebi alta do acompanhamento psicológico e fui para uma clinica de diálise, lá a Shirley também fazia, reencontrei ela e meio que viramos amigos, me apaixonei por ela na época mas não deu em nada, mas fui para fazer diálise em casa e novamente perdemos contato, estava lá, sozinho, sem amigos, sem emprego, sem carinho, precisando de um colo, um abraço e não tinha, me confinei ao único ambiente onde eu ainda tinha alguma coisa, a internet, mas eu que era meio 'pop' no Twitter já ñ tinha mais ânimo para escrever, virei mais um lá no meio, mais um nada, até que criaram uma rede social, o brogui.me, entrei lá e vi um monte de gente conversando, brincando... eu era meio esquecido, ignorado, mas enfim... estava no meio de uma 'rodinha de amigos' mesmo sendo aquele cara que fica meio fora da roda tentando colocar ao menos o ombro entre dois amigos, tava valendo, era melhor do que eu que eu tinha, lá me apaixonei, conheci uma garota do sul, começamos a conversar muito e a brincar, minha ex (a Angela) me pisava muito, acho que percebeu como eu estava e fazia todo o possível pra me humilhar, a Thay começou a me ajudar a provocar ela e tal e acabamos inventando que estava namorando, mas eu estava tão carente, tão sozinho, tão perdido, tão para baixo que me envolvi, já no outro dia começou a rolar ciuminho e tal, guardava para mim, mas meio que comecei a tratar ela como uma verdadeira namorada, mesmo sabendo que não era... e acabou virando namoro de verdade... viajei, a conheci, mas estava numa casa onde minha própria mãe se preocupava mais com a família onde ela trabalhava e com o namorado que comigo, dinheiro sempre sumindo, muitos problemas, o cara bêbado, ela vivia mais na casa dele que comigo... eu não sabia o que fazer, buscava uma saída que não existia, queria ir embora para perto da minha namorada mas não tinha forças para lutar de verdade, não tinha como fugir, nem para onde, não tinha o que fazer, me sentia inferior e isso tudo começou a atrapalhar minha relação, a noite ficava sozinho em casa sem nada a fazer, sem ter com quem conversar... com o tempo surgiu um rim e fui transplantar, parecia tudo tão maravilhoso, a solução mágica dos meus problemas... mas no dia que recebi a ligação do centro de transplantes a Thaynnara já estava diferente comigo, estranha, distante, fria, fui para o hospital, transplantei, as dias depois, enquanto estva internado a uns 10 dias ela acabou o namoro... deu umas 24h e ela pediu para voltar, veio para SP as pressas, foi a coisa mais linda que já me fizeram na vida, levantou lá de baixo do hospital um cartaz escrito 'M<3 12h="" 5="" a="" abandonou="" abra="" acabado="" acabamos="" acabar="" acabasse="" acabei="" acabou="" aceitou="" acha="" achando="" achava="" achei="" acho="" achou="" acidente="" acontecendo="" aconteceram="" aconteceu="" acotneceu="" ado="" ados="" agora="" aguento="" ainda="" ajuda...="" ajudou="" alcoolatra="" algo="" alguns="" ali="" amava="" amiga...="" amiga="" amos="" ano="" ao="" apaixonar="" apaixonei="" apaixonou="" apoiado="" apoiar="" apoiava="" apoio="" apresentar="" aquele="" aqueles="" aqui="" ariah="" arrependi="" as="" assim="" at="" aumentando="" b="" bado="" bados="" bagun="" balc="" bar="" bebendo="" beber="" bebi="" beijamos="" beijando="" bem="" besteira...="" besteira="" brigamos="" brogui="" camila="" cara="" caras="" carinhosa="" carnaval="" casa="" casada="" casamento="" caso="" certo...="" certo="" chamar="" chamou="" chat="" chegou="" cheguei="" ci="" cia="" cio="" citar="" claro="" coisas:="" com="" come="" comecei="" comigo="" como="" comprometido="" confian="" conhecer="" conheci="" consentido="" continuava="" continuei="" continuou="" convers="" conversamos="" conversar="" crise="" cumprimentei="" da="" dancei="" de="" decidi="" decidiu="" declarou="" dei="" dela="" demais="" depois="" depress="" descobri="" descobrir="" desculpas="" despedindo="" dessa="" desse="" deu="" dia="" dias="" disposta="" disse="" distrair="" diverti="" do="" dos="" duas="" durante="" e="" ela="" em="" enfim...="" ent="" entre="" envolvi="" envolvimento="" era="" esfor="" especial="" essa="" esse="" estar="" estava="" estavam="" estou="" eu="" evitar="" ex="" existe="" face="" faculdade="" falamos="" falar="" fam="" fato="" fazer="" ferrou="" festa="" ficamos="" ficar="" ficou="" filha="" fim="" fingi="" fingimos="" fiquei="" fisicamente="" fiz="" fizeram...="" focar="" foi="" for="" forma="" frente="" fugia="" fui="" garota="" gente="" girava="" grudada="" grupo="" h="" hora="" ia="" imenso...="" in="" inferior="" intervalo="" investigar="" ir="" irm="" j="" janeiro="" juntos="" justo="" l="" largar="" let="" leticia="" lia="" lidar="" liguei="" lindo="" logo="" ltima="" m="" mais...="" mais="" mal="" maravilhosa="" mariah="" marido="" mas="" me="" medo="" meiga="" meio="" melhorando...="" mes="" meses="" mesmo...="" mesmo="" meu="" mim="" minha="" morrer="" mos="" mostrou="" mudou="" muito="" mundo="" n="" na="" nada="" namoro="" nela="" nem="" nenhuma="" nessa="" nesse="" ni...="" ni="" nica="" no="" nomes="" nos="" novamente...="" novamente="" novo="" num="" numa="" nunca="" o="" odeia="" odo="" ofereci="" onde="" os="" ou="" outra="" p="" para="" parecia="" parte="" passado="" pedir="" pela="" pensando="" pensava="" per="" perante="" percebeu="" percebi="" perdido="" pois="" por="" posso="" postava="" pouco="" pq="" pra="" precisava="" pressas="" primeira="" pro="" problemas="" procura="" procurei="" qdo="" quarta="" que="" quem="" queria="" quero="" quinta="" rapidinho="" recente="" redor="" reencontrei="" rela="" ri...="" rolou="" s="" sa="" sabia="" sair="" sairmos="" saudade...="" se="" sem="" senha="" senti="" sentia="" sentindo="" seu="" sexta="" shirley="" simplesmente="" sms="" sofrido="" sofrimento="" solteira="" solu="" sozinho="" sp="" ssemos="" ssimo="" status="" sucesso...="" sujo="" sul="" superar="" surpresa="" t="" tais="" tal="" tamb="" tanto="" tarde="" temia="" temp="" tempo="" tentando="" tentava..="" tentei="" teve="" thay="" tinha="" tive="" toda="" todo="" todos="" traindo="" trairia="" tratar="" tratou="" trazer="" trocar="" tudo...="" tudo="" um="" uma="" uritiba="" veio="" vez="" vi="" viagem="" viajei="" vida="" virou="" voltamos="" voltar="" voltei="" vou="" whisky="">
Se algum dia isso virar série, só lembrem de algumas coisas: Amo Legião Urbana, é quem me descreve, ñ sou covarde, aliás, luto demais, mas todo guerreiro um dia perde suas forças e quero que no penúltimo episódio tudo dê errado, tudo mesmo, o cúmulo da dor, no último uma grande festa, onde pela primeira vez estarei realmente sorrindo, mas discretamente me despedindo de todos e quero que simplesmente eu pegue um remédio na mão a imagem apague e apareça 'baseados em fatos reais' num fundo escuro, e então apenas os gritos da única pessoa que percebeu que fui para casa por isso desesperados, querendo entrar, até vir alguém com chave, consigam entrar e se deparem com algo... gritos desesperados e desesperadores mas sempre num fundo preto, sem imagem, apenas o crédito subindo e o aúdio... Eu sei que mais esse sonho nunca vai se realizar, mas todos temos o direito a sonhar uma última vez

Sabe, estou a pouco tempo me tratando, está difícil demais, por enquanto a única coisa que os remédios fizeram comigo foi me dar sono... melhorei alguma coisinha, muito pouca mesmo, mas nada que possa ser visto como uma evolução real...


Esse fim de semana estou triste, muito... estou com tudo forte como sempre foi, desanimado, tanto que nem estou conseguindo escrever nada para o site, sem rumo, querendo morrer... diz a Dra. Mônica que vou ter muitas recaídas, em especial quando houver motivo real para tê-las, mas tive esperança de que não acontecessem... aliás, eu sempre tenho esperança de algo que sei que jamais acontecerá, não sei pq ainda sou idiota o bastante para mantê-las... É duro, sabe... tem um motivo bem específico para eu estar mal esse fim de semana, motivo que até suspeitava que me faria mal, mas não achei em momento algum que me deixaria nesse estado, achei que os antidepressivos seriam capazes de me ajudar, mas não foram, a única coisa que mudou é que agora quero dormir, não quero acordar, deito cedo, durmo cedo, acordo tarde, fico horas na cama... não tenho ânimo nem tampouco vontade de viver, pois não enxergo significado na minha vida... 

Nenhum sonho realizado, ninguém ao meu lado... muitos me ajudaram quando divulguei publicamente o que estava sentindo, mas novamente me sinto sozinho, abandonado, eles foram embora novamente, como aconteceu lá atrás eu realmente espero ter forças para continuar lutando... mas escrevo isso com vontade de já deixar um pedido de perdão! Perdão a todos caso eu não consiga!

Ver coisas que eu queria muito não ajudou em nada, até piorou, aliás... mas sei lá... acho que é assim mesmo que acontece né... Isso é a vida, ela não vai pegar mais leve comigo pq eu tenho isso tudo, pelo contrário, se torna mais uma coisa para dificultar tudo... Estava tão melhor esses tempos, até arriscava uma piada, até estava mais paciente... agora só penso numa coisa... será que naquele meio de 2011 ninguém viu que meu sorriso apagou? Ou ninguém tinha percebido que ele existia antes?

O título é um trecho de uma música do Charlie Brown Jr, banda do Champignon... e acho que assim como eu no passado, ele também já tinha ouvido dizer que só era triste quem queria... E ninguém deu muita atenção quando ele estava, mesmo sem querer... Fluo e cita, me deem força para escrever a série, acho que o único legado que eu posso deixar é mostrar minha história para que ao menos uma pessoa enxergue que alguém ao seu lado está precisando...

Um dos motivos pelo qual fiquei doente é o abandono das pessoas quando mais precisei... na época que tive o problema renal muita gente sumiu, me abandonou, passou a me tratar mal, mudou comigo, me evitava... toda uma consulta foi sobre isso, sobre amizades, sobre esse abandono... desde tudo me tranquei, parei de falar as coisas para as pessoas, parei de me enturmar, me tranquei no meu canto... após conversar com a doutora Mônica a respeito ela me falou para eu tentar correr atrás do tempo, tentar enxergar que tinham sim amigos, e para isso eu teria que me abrir, falar o que estou passando, o que me levou a esse problema todo... eu disse para várias pessoas, incluindo um grupo que participo... foi um erro, hj vi uma verdadeira indireta, com toda cara de ser para mim... mas não disse nada para as pessoas para me promover, só disse pois faz parte do meu tratamento...

Não quero pessoas com dó de mim, eu só preciso de ajuda... mas qdo disse que não tenho amigos, acho que estava praticamente certo... alguns tem se mostrado verdadeiros amigos, alguns que eu nem desconfiava, mas não estou preparado para lidar com os que mostram não ser, estou muito no começo de tudo, não estou forte..... e estou com muito medo

Imagina vc ter que divulgar para todos seus amigos, como parte do tratamento, que você tem um tipo grave de depressão pós traumática e que vai ter que tomar remédios. Isso é um pouco do que aconteceu comigo esses dias... Não foi fácil, pelo contrário, faltava coragem todo o tempo, mas precisava fazer... isso me trouxe algumas lições valiosas... Um monte de gente que praticamente nunca falo veio me apoiar, me ajudar, me ligou, mandou mensagem, whatsapp, chamou no chat do face, alguns vieram até pessoalmente... descobri que tenho muitos mais amigos do que pensava, muita gente está comigo nessa luta... muitos estão lá, até hoje, conversando comigo, tentando me apoiar e isso é maravilhoso... e o melhor, estão envolvidos em coisas da minha vida e não me tratando como um doente, não perguntando sobre a doença, e sim sobre meu site, sobre meus projetos, me incentivando, me apoiando, enfim... teve uma lição valiosa, aliás, duas... uma garota que eu meio que falava mal junto com outra foi a primeira a me chamar no chat após eu anunciar isso num grupo... perguntou se eu estava bem, se colocou a disposição, me deu um pouco de carinho, de atenção... enquanto a outra com a qual eu falava sempre que precisou de mim eu servi, qdo precisou ligar durante a madrugada chorando eu atendi, qdo precisava desabafar eu estava lá, mesmo q estivesse ocupado... porém foi a única, literalmente única das pessoas (isso inclui quase estranhos) que me abandonou... retirou um convite que tinha me feito antes (nem teve a capacidade de dizer que retirou, só deixou claro que não estou mais entre os convidados), no dia que recebi o diagnóstico me deixou falando no chat e depois ainda me tratou mal qdo fui falar e não foi a primeira vez que me abandonou qdo mais precisei em mais de 1 ano... então, a lição mais valiosa que fica de tudo isso é para tomar cuidado com quem são meus amigos... perceber principalmente que meus maiores amigos não são aqueles que precisam de mim, são aqueles que precisam de mim bem! Que na hora que precisa de mim vem atrás, mas na hora que eu preciso também virá, também vai me procurar, também vai me chamar... esses sim são meus amigos... obrigado BDP, Bme (ao menos a maioria esmagadora), Família, B2W, Cca, enfim... tantos...

A jornada será longa, vou me ferir muito ainda, chorar demais, ter muita decepção, mas agora tenho onde me agarrar... Eu vou ficar bem... de uma forma estranha eu sempre fico...

Aquilo que poderia nem ter sido escrito dói, faz sangrar, tira todo o sentido, ao mesmo tempo que conforta, que pode parecer um rumo que não existe... Toda uma vida temendo psicólogos, não querendo ir por se sentir um louco perto deles, mas a saída se fechou, havia um muro que eu jamais conseguirei pular sozinho no fim da reta...

Pela terceira vez a luta para se manter vivo foi cruel, pela terceira vez ter que fazer uma escolha, mas dessa vez foi longe demais, ao ponto de tirar todos os remédios das cartelas para tomar de uma vez com uma garrafa de vodka, tudo chegou a ser preparado como nunca foi, tudo foi planejado para ser executado, não restava saída e o pior, nem tinha um motivo específico, apenas não queria mais ficar aqui, não aguentava mais ficar aqui...

Se não fosse aquela força sobre-humana de pegar apenas o cartão de ônibus e o celular e ir para a casa da minha protetora, jamais isto seria escrito, e jamais, talvez, alguém entenderia, ao mesmo tempo em que muitos tentariam entender. Foi cruel a batalha daquela noite de 4 de setembro, e não teria conseguido sozinho e não lutasse naquele segundo para sair e buscar ajuda...

Foi minha pequena Shirley quem me protegeu, quem me abraçou e começou a chorar desesperada pelo que eu contei que estava prestes a fazer, doeu demais ver o que poderia ter feito com ela naquele dia... e com muitos.. Eu de verdade não sabia o que pensar, o que fazer... como agir?

Naquele dia ela me cuidou como há muito tempo ninguém me tratava, me fez falar com todos meus amigos mais importantes (e teve o cuidado de não indicar aqueles que me fariam sofrer), me mostrou que tinha muita gente que se importava, como jamais pensei... Me colocou em seu colo, me fez carinho e me fez jurar que no dia seguinte logo cedo eu procuraria ajuda... Me abraçou a noite toda, para que eu ficasse bem, que falta eu sentia de um pouco de carinho e atenção...

No outro dia estava relutante em marcar psicólogo e um único telefonema me convenceu... a doce e pequena Nath, aquela criancinha loira, dos olhos verdes e que até hoje demonstra aquele carinho especial que só criança sabe dar... falar com ela me deu forças, me deu coragem de ir em frente, de buscar... Ainda não sabia disso, mas outros amigos também já sabiam o que tinham acontecido e mesmo sendo uma quinta, todos fizeram questão de aparecer na casa da minha protetora para tomar café junto comigo, eu tinha mais o que temer...

Quinta-feira, 5 de setembro, as 9h da manhã, já estava com minha consulta marcada com a Dra. Mônica... e no Domingo minha pequena Shirley fez questão de vir até minha casa para garantir que na segunda eu iria, e fui, conversei muito com aquela psicóloga que embora eu tanto temesse, me passou confiança com seu sorriso meigo, sua calma na fala, sua simpatia... contei tudo para ela e como resposta recebi aquilo que já sabia.. Terei que passar por alguns exames e consultas para confirmar meu quadro de depressão... a suspeita inicial de depressão unipolar e/ou reativa, ainda é difícil dizer sem os exames de sangue que medirão alguns neurotransmissores e hormônios e algumas terapias...

Eu sempre tive sinais que eu nem sabia que eram sintomas de depressão, mas que muitos notavam em mim e apenas me julgavam por isso... irritação constante, falta de ânimo e prazer em pequenas coisas, problemas para dormir e para comer, engordar, cansaço constante para tudo... além de coisas mais psicológicas... falta de concentração, sensação constante de culpa mesmo quando não estava errado, de ódio de si próprio, de ser um inútil, um imprestável, sensação de inferioridade constante, sensação de solidão, de abandono, de ter sido esquecido, falta de esperança para tudo e principalmente vontade de morrer... todo o tempo, mesmo que eu mesmo tivesse que providenciar isso...

Não foi fácil ouvir aquela confirmação e ouvir a médica passando aquela lista de itens e eu respondendo "sim" a tudo, eu queria chorar mas temia a forma como a Dra. Mônica veria aquilo... Ela conversou com a Shirley também, a única resposta que tive dessa conversa delas foi "só umas perguntas", estou com muito medo do andamento disso tudo, medo de ter que tomar remédios, de ter minha vida mais mudada do que já é por causa do rim... mas agora não vou mais abandonar aquelas pessoas que cuidaram de mim quando precisei, não vou ver mais a pessoa que mais demonstra se preocupar comigo, que mais cuida de mim chorando daquela forma, sem conseguir respirar direito, soluçando, me abraçando como se daquilo dependesse a vida de nós dois...

Minha mente começa a deixar de ser tão estranha para mim, pena que o estou conhecendo não seja tão bom...